Felipe
O tempo passou rápido, e a madrugada já virou manhã quando finalmente conseguimos voltar para casa. Enfim, teríamos um pouco de sossego, porque paz, essa nós só conseguiríamos quando derrubarmos Adrian para sempre. Já de banho tomado, preparo um chá e alguma coisa simples para comermos. Helena me aguardava na sala, sentada no sofá e com o olhar distante, possivelmente pensando em todas as barbaridades que aquele monstro cometeu contra nós. A observo por um tempo e sinto o cheiro de fumaça ainda preso nas nossas roupas, na pele, no cabelo, e possivelmente, na memória. Mas não é só isso que me mantém em alerta. É o nome dele. É sempre o maldito nome dele. Adrian. O homem que incendiou meu passado. E que agora tenta reivindicar o futuro de Helena.
Ela continua sentada no sofá, enrolada numa manta, tomando chá de camomila. As mãos ainda tremem um pouco — não de medo, mas de adrenalina que o corpo ainda não conseguiu dispensar. Eu a observo por alguns instantes. Não como um homem qu