Helena
Horas depois, estou no apartamento de Felipe. O silêncio é pesado, interrompido apenas pela respiração dele, lenta e profunda. Por mais que eu tente resistir, basta o timbre grave de sua voz me atravessar que minhas defesas ruem, desmoronando como se nunca tivessem existido.
Agora, deitada em seus lençóis, sinto o tecido macio contra minha pele nua, ainda impregnada pelo calor dele. Viro o rosto e o observo dormir. A expressão de Felipe é serena, quase angelical, como se a violência qu