Daniel leu e releu o endereço no visor do celular, como se pudesse desmentir o que via. Como se aquele pequeno número piscando em azul não fosse a sentença final de um julgamento silencioso que ele mesmo provocara. Rua Gael, 134. Uma coordenada geográfica do fim. O ponto exato onde Amanda havia enterrado o que restava deles.
Ele jogou o celular no banco ao lado, respirando como quem lutava contra o próprio corpo. Os pulmões doíam. O peito ardia com um peso que não vinha do físico — era memória