A claridade branca do hospital cortava como lâmina.
Rose piscou várias vezes, tentando distinguir o teto, o zumbido dos monitores, o cheiro de éter.
Por um instante, achou que ainda sonhava.
— Calma, filha… — a voz do pai veio mansa, mas trêmula.
Paulo segurava a mão dela, o olhar úmido e atento. — Você desmaiou. Está tudo bem agora.
Rose levou a outra mão à cabeça. O peso, a dor, o eco.
Mas não era apenas o corpo — era a enxurrada de imagens.
Pedro.
O sorriso torto.
O treino.
O beijo roubado.