A chuva não cessava desde o fim da tarde.
O vento vinha em rajadas, fazendo as cortinas dançarem diante da janela e espalhando pelo ar aquele cheiro metálico de tempestade antiga.
Rose caminhava pelo corredor em silêncio, descalça, o som dos próprios passos abafado pelo tapete grosso.
Pedro tinha descido para resolver algo com o pai — uma reunião que prometera ser “rápida” e que já durava horas.
Ela não conseguia dormir.
Não depois do que descobrira dias atrás.
A foto.
A dedicatória.
As cartas.