O silêncio dentro do carro era quase ensurdecedor. Nenhum dos dois falava, e só o som ritmado da chuva batendo contra o vidro quebrava o peso da tensão. A perseguição da noite anterior ainda latejava na memória — as luzes piscando no retrovisor, o barulho seco dos tiros, o cheiro de pólvora misturado ao medo.
Pedro mexia no relógio sem perceber, o pulso ainda trêmulo. A cada vez que o pneu passava por uma poça e o carro balançava, ele lembrava do corpo de Rose sobre o dele, protegendo-o com um