O salão estava impecável — excessivamente.
Luzes âmbar se espalhavam pelo mármore polido, refletindo em taças de cristal que tilintavam com precisão quase coreografada. As conversas aconteciam em tons baixos, calculados, como se cada palavra tivesse sido ensaiada antes de ser dita. Nada ali era espontâneo. Cada sorriso tinha um propósito. Cada presença, um motivo.
Helena chegou ao evento ao lado de Gustavo exatamente no horário previsto.
Ele lhe ofereceu o braço com a naturalidade treinada de quem conhece o peso dos símbolos. O gesto parecia casual para olhos desatentos, mas comunicava alinhamento a quem realmente importava. Helena aceitou, consciente de cada passo, de cada ângulo, de cada olhar que se voltava para eles no instante em que cruzaram a entrada.
— Você está linda — disse Gustavo, em tom gentil, quase protocolar. — E absolutamente no lugar certo.
Helena sustentou um sorriso contido, preciso.
— É o que esperam de mim esta noite.
Do outro lado do salão, Fernando Valente inte