A segunda-feira não trouxe descanso. Trouxe realidade.
Helena atravessou a entrada da holding com passos firmes, o salto ecoando no mármore como um lembrete de que ali não havia espaço para hesitação. O prédio continuava imponente, silencioso, preciso — mas algo havia mudado. Ou talvez tivesse sido ela.
Cumprimentou funcionários, respondeu acenos, manteve o sorriso profissional. Por dentro, ainda carregava o peso do fim de semana. Não do quase beijo em si, mas do que ele tinha provocado: uma ruptura silenciosa, impossível de ignorar.
Eduardo já a aguardava na sala de reuniões.
— Você chegou cedo — comentou, sem levantar os olhos do notebook.
— Sempre chego — respondeu Helena, sentando-se à cabeceira.
Ele fechou o aparelho com calma excessiva.
— Precisamos alinhar algumas decisões antes da reunião com o conselho.
Helena cruzou as pernas, atenta.
— Desde quando essas decisões não passam por mim?
Eduardo sustentou o olhar por um segundo a mais do que o habitual.
— Desde que percebi que a