Era madrugada. Rodrigo dirigia pelas ruas silenciosas da cidade, longe da área nobre, onde o asfalto rachado e os postes de luz amarelados pareciam esquecidos pelo tempo. Ele estacionou em uma rua comum, quase deserta, desceu do carro e ajustou o boné — outro homem, outro papel. À sua frente, erguia-se um prédio antigo e discreto. Nenhuma placa chamativa, apenas um número solitário na porta. A fachada descascada e a ausência de movimento davam ao lugar uma aparência esquecida, quase invisível, mas era ali que tudo aconteceria. Rodrigo empurrou a porta e entrou. O cheiro de café recém-passado se misturava ao aroma de papel antigo, criando uma estranha sensação de conforto e alerta ao mesmo tempo. Um homem de meia-idade levantou os olhos, parado entre sombras e a luz fraca do ambiente, como se estivesse esperando por aquele instante há anos. — Você demorou — disse o homem, firme, com uma curiosidade contida que parecia cortar o silêncio da madrugada. — Conseguimos assumir o controle
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