Helena retornou ao espaço principal com a mesma postura firme de sempre, como se nada tivesse mudado. Como se o beijo escondido minutos antes não tivesse deslocado algo dentro dela. Luzes âmbar ainda se refletiam no mármore polido, taças continuavam a se tocar com precisão calculada, e os sorrisos mantinham o mesmo desenho ensaiado.
Mas agora, ela sabia exatamente o que estava em jogo.
Gustavo a encontrou antes que pudesse se misturar aos convidados.
— Aí está você — disse, aproximando-se com naturalidade medida. — Nakamura, o investidor japonês, quer nos cumprimentar.
— Vamos — respondeu Helena, sem hesitar.
A mão de Gustavo pousou em sua cintura enquanto a conduzia pelo salão. O gesto era firme, correto, pensado para os olhares atentos e para as lentes que nunca estavam realmente desligadas. Para quem observava de fora, o quadro era perfeito.
Helena percebeu os celulares discretamente erguidos, os flashes sutis, a forma como os olhares se fixavam neles por segundos a mais do que