Você é apenas o Sr. Montenegro, o CEO que acha que pode gerenciar sentimentos como se fossem ações na bolsa.
Natália
O café onde escolhi encontrá-lo não tinha nada de simbólico. Não era especial, não era romântico, não guardava memórias. Era apenas funcional. Mesas pequenas, vidro demais, pessoas demais. Um lugar onde ninguém escuta, ninguém se importa e tudo pode acabar sem plateia. Era exatamente o que eu queria.
Cheguei antes. Sempre chego antes agora. A gravidez me ensinou isso: o mundo não espera por quem chega atrasado, e eu não pretendo correr atrás de mais nada. Escolhi uma mesa próxima à janela, de onde dava para ver a rua e, principalmente, a saída. Sentei-me de frente para a porta. Velho hábito de quem cansou de ser surpreendida.
A bolsa repousava no chão, encostada à minha perna. A mão, automaticamente, foi ao ventre. Um gesto que já não é defesa — é constatação. Você está aqui. E isso muda tudo. Mas não muda tudo para todos.
Quando Ricardo entrou, eu soube antes de vê-lo. Há presenças que o corpo reconhece antes da razão. O ar muda. A temperatura muda. O passado se levanta e ent