Hoje eu não estou disponível para o mundo.
Ricardo
O escritório na sede do Grupo Montenegro nunca pareceu tão vasto, nem tão frio. A luz da manhã, que costumava ser o sinal para o início de mais uma jornada de conquistas e decisões estratégicas, agora era apenas um lembrete incômodo de que o tempo continuava a avançar, indiferente ao colapso do meu mundo privado.
Eu não dormi. Não tentei contato. O celular, aquela extensão tecnológica do meu poder, estava sobre a mesa de carvalho escuro, uma peça inerte de vidro e metal que parecia pesar toneladas. Eu sabia que, se ligasse, ela não atenderia. Se enviasse uma mensagem, ela seria lida e ignorada com o desprezo que eu agora sabia que merecia. Se fosse até o apartamento de Vitor, a porta continuaria trancada, uma barreira física para a barreira emocional que eu mesmo ajudei a construir, tijolo por tijolo, silêncio por silêncio.
Pela primeira vez na vida, o meu poder não servia para nada. O dinheiro, as conexões, a influência que eu usei para quitar a dívida de Vitor ou para salvar