Ricardo
Suspiro alto, um som rouco que ecoa no corredor silencioso. A frase de Vitor, "Você vai perdê-la para o vazio", se mistura com a minha própria verdade. A voz do meu irmão se tornou o eco da minha consciência, um juiz implacável que não aceita suborno.
Natália está lá, na sala de jantar, a poucos metros de mim, mas em um universo de distância. Ela comenta algo banal sobre a sobremesa, uma tentativa desesperada de manter a conversa leve. Ri pequeno, um som frágil que mal arranha a superfície do silêncio. Mexe nos talheres como quem precisa justificar a própria presença, como se temesse que, se ficasse imóvel, pudesse desaparecer. O sorriso chega rápido, uma máscara apressada, e vai embora rápido demais, deixando apenas a sombra da melancolia.
Ela não sabe da conversa com meu irmão. Não imagina nada do que foi dito, da sentença que acabamos de proferir sobre o nosso futuro. Mas agora eu sei o que ele pensa, e saber não me liberta. Me condena.
Porque tudo o que Vitor disse é verda