Estou perdido em meus pensamentos sombrios quando ela entra. Ela não bate. Isso, por si só, já é uma revolução.
Natália fecha a porta atrás de si com um cuidado excessivo, como se não quisesse fazer barulho nem ao romper o silêncio que nos separa. Fica parada, as mãos juntas à frente do corpo, o rosto sério demais.
— Aconteceu alguma coisa? — pergunto, sem levantar os olhos.
— Aconteceu — ela diz. — Faz tempo. Eu só não sei o nome ainda.
Levanto os olhos devagar. Ela me encara e o olhar não vac