Sim. Foi o dia em que conheci o Ricardo… e me apaixonei.
Sim. Foi o dia em que conheci o Ricardo… e me apaixonei.
Ele diz sem conhecer meus pensamentos:
— Você gostava de estar ali. No palco. Mesmo quando dizia que era só um passatempo.
— Era o único lugar em que eu não precisava caber — digo, sem pensar.
Vitor assente devagar.
— Você ensaiava à noite e, no dia seguinte, acordava cedo para trabalhar de babá — ele ri baixo. — Chegava morta de cansada, mas nunca reclamava.
— Eu gostava — respondo. — Sempre gostei de crianças. Elas não exigem que a gente seja outra coisa além do que é.
— E você era boa nisso — ele diz. — Tinha paciência. Tinha afeto. Tinha… presença.
A palavra pesa entre nós.
— Você cuidava dos filhos dos outros enquanto sonhava em ser vista — ele continua, com cuidado. — E era. Todo mundo via. Menos você.
Desvio o olhar para a janela.
— Eu ajudava minha tia a pagar as contas — digo. — Teatro não pagava aluguel.
— Mas te mantinha viva — Vitor responde. — Dava para ver.
O silêncio se instala entre nós, carregado demais de pass