Eu fecho os olhos, sentindo as lágrimas queimarem. Eu odeio o quanto aquele toque ainda me afeta. Odeio o quanto o cheiro dele ainda me faz sentir segura, mesmo quando eu sei que ele é o motivo da minha insegurança.
— Ricardo… — começo, mas a voz falha.
— Eu sei — ele diz, sem abrir os olhos, a mão ainda pousada sobre o nosso filho. — Eu sei que isso não muda nada. Eu sei que eu ainda estou do lado de fora. Mas obrigado. Por me deixar sentir isso.
Ele retira a mão, devagar, como se estivesse se despedindo de um sonho. Ele se levanta, recompõe a postura, ajusta o paletó cinza. O homem de negócios está de volta, mas os olhos ainda carregam o brilho daquela lágrima que ele não deixou cair.
— Vou deixar você descansar — ele diz, a voz agora profissional, contida. — Elza, cuide dela. Qualquer coisa, me ligue.
— Eu sempre cuido, Sr. Ricardo — Elza responde, voltando da cozinha com um olhar que mistura pena e severidade. — O senhor sabe o caminho.
Ele assente para ela, lança um último olhar