Ele ama a senhora, dona Natália

Eu fecho os olhos, sentindo as lágrimas queimarem. Eu odeio o quanto aquele toque ainda me afeta. Odeio o quanto o cheiro dele ainda me faz sentir segura, mesmo quando eu sei que ele é o motivo da minha insegurança.

— Ricardo… — começo, mas a voz falha.

— Eu sei — ele diz, sem abrir os olhos, a mão ainda pousada sobre o nosso filho. — Eu sei que isso não muda nada. Eu sei que eu ainda estou do lado de fora. Mas obrigado. Por me deixar sentir isso.

Ele retira a mão, devagar, como se estivesse se despedindo de um sonho. Ele se levanta, recompõe a postura, ajusta o paletó cinza. O homem de negócios está de volta, mas os olhos ainda carregam o brilho daquela lágrima que ele não deixou cair.

— Vou deixar você descansar — ele diz, a voz agora profissional, contida. — Elza, cuide dela. Qualquer coisa, me ligue.

— Eu sempre cuido, Sr. Ricardo — Elza responde, voltando da cozinha com um olhar que mistura pena e severidade. — O senhor sabe o caminho.

Ele assente para ela, lança um último olhar
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