Natália
Ana me liga no meio da tarde, quando o sol já começa a desenhar sombras longas e melancólicas pelas paredes da cobertura. O celular vibra sobre a mesa de mármore da cozinha, um som persistente que parece ecoar o batimento acelerado do meu próprio coração. Por um longo segundo, e eu fico apenas observando o aparelho, sentindo uma vontade avassaladora de não atender, de me recolher em um silêncio absoluto onde ninguém possa me alcançar. Tudo em mim pede isolamento, um casulo onde eu possa