Ricardo
Desligo o telefone e sinto o suor frio se espalhar pela palma da mão. A conversa acaba, mas o efeito permanece. Foi a mais difícil que já tive — não pelo conteúdo, mas pelo risco.
Estou no meu escritório em São Paulo. O mesmo de sempre: vidro, aço, silêncio. Ainda assim, tudo mudou. Não estou mais no Rio, amortecendo o impacto. Voltei para o centro do tabuleiro. Voltei para jogar.
Márcia surge à porta, contida como sempre.
— O Lucas já está a caminho do apartamento da Natália, senhor.
— Ótimo — respondo.
Minha voz soa firme. Mais firme do que eu me sinto.
Caminho até a janela. A cidade se estende lá embaixo, funcional, indiferente. Penso em Natália. Sei que ela me odeia agora. E isso não me assusta. O ódio ainda é um vínculo. Mantém a conexão viva, mesmo que tensa. O que encerra qualquer possibilidade é a indiferença. É isso que eu preciso evitar.
Não tento reconquistá-la com palavras. Palavras falham. Eu opero com fatos.
Mostro que, mesmo separados, continuo sendo o único cap