Não desaparece.
Ricardo
A biblioteca era um refúgio silencioso no meio da festa. Madeira escura, estantes altas, cheiro de livro antigo misturado ao uísque caro. Um lugar feito para homens conversarem sem serem interrompidos. Lacerda fechou a porta atrás de nós. Havia mais três ali. Todos conhecidos. Todos atentos. Os copos já estavam servidos. Peguei o meu, mas não bebi de imediato.
— Sua esposa chama atenção — disse um deles, observando-me por cima do copo. — Muito bonita.
— Obrigado.
— Jovem — acrescentou outro, com um meio sorriso. — Dá gosto de ver.
Assenti, curto.
— Vocês estão casados há quanto tempo? — perguntou Lacerda, casual.
— Dois anos.
— E filhos? — ele emendou, com a naturalidade típica de quem acha que está apenas puxando conversa.
O copo pesou na minha mão.
— Ainda não — respondi. — No momento certo.
Lacerda inclinou a cabeça, avaliando.
— Imagino que ela queira, não? — disse, sem insistência. — Mulher jovem costuma pensar nisso cedo.
— Conversamos sobre isso — menti, com facilidade