Natália
O carro desliza pelas ruas vazias dos Jardins com uma elegância silenciosa, quase de caça. São Paulo à noite parece outra cidade — mais escura, mais direta, sem a barulheira das buzinas; só o asfalto negro devolvendo as luzes dos postes como reflexos rápidos, como lembranças que eu tento colocar em ordem.
Ricardo dirige com uma mão firme no volante. A outra fica perto do câmbio, solta demais, e isso me irrita: parece calma demais para a tensão que eu sinto nos ombros dele. O maxilar está