Natália
Acordo.
Não é o barulho que me tirou do sono, nem a luz fraca que atravessa a cortina de seda pesada. É o meu corpo. Ele acorda antes de mim, tenso, sensível demais, como se ainda estivesse preso à urgência da noite que não acaba direito.
Abro os olhos devagar, sentindo o peso do ar no quarto. Ricardo está ao meu lado, de costas, o lençol cobrindo apenas a curva poderosa de sua cintura. A respiração dele é regular, profunda. Ele dorme como quem descarrega um peso e segue em frente, impe