Natália
Ricardo chega depois de nós.
Eu já espero. A pontualidade é uma virtude que ele reserva para reuniões de conselho, não para jantares sociais.
Ana e Clara já estão sentadas à mesa, imersas em uma conversa animada, quando o movimento sutil do restaurante muda. Não é imediato, nem teatral, mas acontece. Um deslocamento silencioso, quase imperceptível, que só a presença de um homem como ele poderia provocar. Pessoas olham rápido demais, o garçom endireita a postura, e aquele respeito automático, que alguns homens carregam como um manto invisível de poder, preenche o ar.
— É ele — murmura Ana, antes mesmo que eu tenha a chance de virar a cabeça.
Ricardo entra sem procurar ninguém. Terno escuro, cortado com a precisão de um alfaiate italiano, postura impecável, o rosto sério de quem nunca chega para agradar — chega porque é esperado. Ele não sorri ao me ver. Apenas assente com a cabeça, um gesto frio de quem confirma um compromisso cumprido na agenda.
Levanta o braço para o garçom,