Ricardo
O porteiro não me chama pelo nome.
Isso me acerta antes mesmo de eu perceber. Uma “boa tarde, senhor” neutro, profissional, como se eu fosse apenas mais alguém atravessando aquele saguão que durante anos respondeu ao som da minha voz.
— Vim buscar algumas caixas — digo.
A frase soa estranha na minha boca. Não pelo conteúdo, mas pela posição que ela me coloca. Eu nunca vim buscar nada. As coisas sempre estiveram onde eu estava.
— O apartamento do senhor… — ele começa, e corrige no meio d