Dois dias depois...
Ricardo
A mala está pronta em quinze minutos.
Não porque eu esteja com pressa, mas porque meu corpo sabe fazer isso sem mim. Camisas dobradas com precisão. Dois ternos. Um par de sapatos que não combina com o Rio, mas eu levo mesmo assim. Há anos viajo assim: rápido, eficiente, emocionalmente ausente. O gesto vem antes do pensamento.
O quarto do hotel em São Paulo está silencioso demais para uma cidade que nunca dorme. Cortinas fechadas, ar-condicionado regulado, cheiro neutro. Tudo funciona. Nada acolhe.
Este quarto não é casa, é intervalo.
O celular vibra sobre a mesa de vidro.
— Bom dia, Ricardo — a secretária diz, com a mesma voz organizada de sempre. — Confirma sua presença na filial do Rio hoje à tarde?
Olho para a mala fechada. Não estou indo embora ainda. Mas vou.
— Sim — respondo. — Hoje. Quero o relatório completo agora. E chame o Vitor. Daqui vinte minutos estarei aí e quero uma reunião com ele.
Há um segundo de silêncio do outro lado da linha. Pequeno d