Parte 10...
Ayla Santana
Ele caminhou até a mesa, pegou alguns papéis e me entregou sem sequer levantar os olhos. Eu respirei fundo.
— Preciso saber os horários. Não posso simplesmente aparecer aqui a qualquer hora.
Ele ergueu o rosto devagar.
— Pode sim.
— Não. - endireitei a postura. — Eu tenho casa, irmã, tia, vida. Preciso saber quando venho e quando vou.
Ele deu um meio sorriso irritante.
— Enquanto eu quiser você aqui, você fica.
Ponto.
Revirei os olhos antes de conseguir me controlar.
— Você é irritante.
Ele riu de verdade dessa vez, baixo, rouco, como se não esperasse aquilo.
— E você fala demais pra quem está pisando em terreno perigoso.
— Eu não posso ficar vinte e quatro horas à sua disposição - retruquei. — Quer me manter presa? Coloca algemas, então.
A risada dele aumentou, agora com um brilho perigoso.
— Não preciso de algemas.
— É? - cruzei os braços. — Por quê?
Ele deu dois passos lentos na minha direção.
Meu peito disparou. Meu corpo inteiro ficou alerta, como se o ar