Parte 11...
Emir
Eu a vi desabar no banco do carro antes mesmo de conseguir dizer seu nome. Ayla estava fraca, pálida, o olhar perdido. Eu não podia mostrar hesitação. Hesitar agora significava perder tudo.
— Ayla - falei, firme — Olhe para mim.
Nada. Ela respirava rápido demais, o peito subindo e descendo como se estivesse tentando engolir o próprio medo.
Respirei fundo. O carro rangia nas curvas, a estrada deserta parecia mais longa do que deveria.
Eu precisava terminar isso, e ela precisava entender: não havia escolha. Era melhor assim. Pra nós dois.
— Eu disse, olhe para mim - repeti, baixo, perigoso.
Ela piscou algumas vezes, voltando a si e me encarou com os olhos cheios de terror, mas finalmente parou de se debater. O silêncio caiu pesado entre nós. Eu deixei que ele pesasse.
— Suas regras acabaram, Ayla. Agora são as minhas.
Ela abriu a boca, mas não disse nada. O medo falava por ela.
— Sua tia vai para o hospital. Ela vai sobreviver. - pronunciei devagar, medindo cada palavra