Parte 1...Ayla SantanaA gente aprende cedo que, em Nova Karam, nada vem fácil. Mas eu aprendi um pouco antes dos outros.Aprendi quando perdi meus pais. Aprendi quando minha tia ficou doente. E aprendi, principalmente, quando percebi que, se eu não segurasse a barra, ninguém mais faria isso por mim, nem por Narin.Era isso o tempo todo na minha cabeça naquela manhã cinzenta, enquanto corria para não perder o ônibus.— Ayla, espera! - Narin gritava atrás de mim, tropeçando nos próprios cadarços. — Eu não alcanço você!Olhei pra trás e ri sem querer. Era impossível ficar brava com ela.— Corre, menina! – chamei com a mão. — O motorista não vai ter dó de nós hoje, não.Narin veio toda atrapalhada, a mochila pulando nas costas, o rabo de cavalo meio torto.— Eu tentei arrumar a tia antes de sair - ela disse, ofegante, quando finalmente me alcançou — Mas ela não quis levantar da cama. Disse que estava vendo meu pai pela janela.Suspirei fundo. O coração deu aquela apertada que eu já conh
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