Parte 20...
Ayla
Eu continuo no sofá, encolhida, abraçada às próprias pernas. Não quero a cama dele. Não quero o cheiro dele. Não quero nada que faça parecer que pertenço a esse lugar.
A porta se abre sem aviso. Emir entra. Ele olha primeiro para a cama arrumada. Depois para mim. O maxilar dele trava.
— O que você está fazendo aí? - questiona, seco.
— Dormindo - respondo, mesmo sabendo que não convence ninguém essa desculpa boba.
— No meu quarto, não. - ele aponta para a cama com o queixo. — Levanta.
— Não.
Ele pisca devagar, como se estivesse decidido a não me matar hoje, só perder a paciência.
— Ayla. Não me faça repetir.
— Eu fico aqui. - aperto mais as pernas. — Não quero sua cama.
Ele dá dois passos. Depois mais dois. E quando percebo, está parado bem na minha frente. Alto demais. Perto demais.
— Vai levantar sozinha ou quer que eu resolva do meu jeito?
— O seu jeito é o problema. - tento desviar o olhar, mas não consigo. — Você acha que pode mexer comigo como quiser. Primeiro di