“Algumas portas não se fecham para nos prender — se fecham para que o mundo entenda que a mulher que entrou não é a mesma que saiu.”
🖤
O som da porta se fechando atrás de mim não é um fim. É um estalo seco que marca uma decisão sem retorno. O eco se espalha pelo corredor como um aviso, não para mim, mas para tudo o que ainda acredita que eu posso recuar. Não posso. Não agora.
Reconheço o lugar sem precisar vê-lo. Meus passos respondem ao chão antes mesmo de eu pensar, medindo a distância pelas reverberações, pela forma como o ar se comprime ao redor do corpo. Aqui, ele é mais denso, mais pesado de respirar, como se carregasse décadas de poder acumulado e violência guardada à espera de permissão. A casa do meu pai nunca precisou ser vista para ser temida. Ela sempre se anunciou pelo corpo.
Cada som é controlado. Cada espaço foi desenhado para lembrar quem manda. O silêncio aqui não acolhe — ele exige. É um silêncio treinado, afiado, que ensina obediência sem precisar de ordens. Cresci