“Há dores que não pedem descanso — exigem movimento.”
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A dor me acorda antes do medo. Ela não chega de uma vez — vem em ondas, em camadas profundas, ocupando cada centímetro do meu corpo como um aviso cruel de que fui desmontado e costurado de volta à força. Lateja. Queima. Puxa. Cada respiração cobra um preço alto demais, como se os pontos no meu peito lembrassem, a cada segundo, que eu quase não voltei. Mas há algo diferente desta vez. Não é só sobrevivência. É urgência.
Há um peso novo no ar, uma sensação de atraso, como se o mundo estivesse andando sem mim. Abro os olhos com esforço. A visão demora a obedecer. O quarto está em penumbra, protegido, silencioso demais para ser um hospital comum. As máquinas respiram por mim, comigo, marcando um ritmo que tenta me manter no lugar. Bip. Pausa. Bip. Como se estivessem me pedindo calma. O mundo insiste que eu fique deitado. Que espere. Que seja prudente. Mas, eu não posso.
Sinto isso antes mesmo de pensar. No aperto no peito que não ve