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139: Fernando Torrenegro

A consciência volta em ondas curtas, quebradas, como se meu corpo estivesse testando se ainda vale a pena me manter aqui. Não há sonhos. Só fragmentos soltos. Vozes distantes que entram e saem. O balanço constante da maca. Um motor grave demais para ser ambulância comum. O som não corre — ele avança. Blindado. Seguro. Feito para atravessar territórios onde homens como eu não deveriam sobreviver.

Abro os olhos com esforço. A visão vem turva, mas o cérebro reconhece rápido demais. O teto não é branco. É metálico. Frio. Baixo. O cheiro também denuncia: ferro, óleo queimado, antisséptico forte demais para um hospital civil. Este lugar não cura. Mantém. Preserva. Esconde.

Um abrigo temporário para homens que ainda têm contas a acertar.

— Não força — diz uma voz que eu conheço melhor do que deveria.

Lúcio.

Viro o rosto alguns centímetros. Cada movimento cobra um preço alto, como se alguém estivesse puxando fios por dentro do meu peito. Ignoro. A dor não é novidade. O que arde ali dentr
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