138: Luna Castilho

O som da maca se afastando não é apenas barulho. É um rasgo aberto dentro de mim. As rodas deslizam pelo corredor em um ritmo que eu nunca vou esquecer, levando Fernando para longe, arrancando-o do alcance da minha voz, do meu toque. Cada giro das rodas mede a distância que cresce entre nós, e cada centímetro pesa como se estivessem separando um pedaço do meu próprio corpo e empurrando para um lugar onde eu não posso alcançar.

Quando ele some, eu sinto. Não com os olhos, mas com a pele inteira. O ar muda de densidade, fica mais frio, mais áspero de respirar. O silêncio que sobra não é vazio — é hostil, como se o mundo tivesse perdido o único eixo que o mantinha de pé. Tudo ao redor parece instável, prestes a desabar.

Respiro fundo. Uma vez. Duas. O ar entra pesado, arranha o peito, mas eu forço. Preciso ficar em pé. Preciso existir neste instante.

Meu corpo treme. Não por fraqueza. Não por medo apenas. É contenção. É o esforço brutal de não correr atrás dele, de não gritar o nome d
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