“A vingança me ensinou a matar sem remorso. Ela me ensinou a sentir. E agora, no silêncio entre o mar e o pecado, percebo que o amor é a única bala que atravessou o meu peito — e ainda não saiu.” — Fernando Torrenegro
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O som do mar é o único ruído que me resta. Ele entra pela janela, mistura-se ao cheiro de uísque e ao cigarro queimando lentamente no cinzeiro. Do lado de fora, o mundo dorme. Mas eu não.
Há três noites o sono me evita. Toda vez que fecho os olhos, vejo rostos que não deveria lembrar. Homens que confiei, e que agora me caçam. Nomes que eu mesmo condenei, e que não aceitaram morrer em silêncio. A vingança tem um preço — eu sempre soube. Mas nunca imaginei que ela me custaria Luna.
Ela dorme no quarto ao lado. Consigo ouvir a respiração dela, calma, ritmada. Aquele som é a única coisa que me ancora ao que ainda resta de humanidade em mim. Por muito tempo, achei que podia controlar tudo. Negócios, lealdades, mortes. Mas ela veio e bagunçou a lógica que me mantinha vi