"Ele me cegou com verdades tardias, mas esqueceu que já vivi inteira na escuridão. E quando o amor se torna dor, a mulher que antes via com o coração aprende a enxergar com a alma - e a alma não perdoa." - Luna Castilho
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O som do mar sempre me acalma. Mas naquela noite, ele veio diferente. Não como melodia... mas como aviso. A brisa entrava pela janela, fria, carregando o cheiro de sal e fumaça de cigarro - o cheiro dele. Fernando não dormira. Eu sabia. Há dias ele não dorme. E, mesmo quando finge, o corpo dele não mente. O peso da respiração, o movimento dos dedos, o silêncio contido... tudo grita. Ele tenta esconder, mas o medo tem um som próprio. E eu aprendi a escutá-lo.
Levanto-me devagar, descalça, sentindo o chão frio sob os pés. A casa está mergulhada em sombras, mas o caminho é familiar. Não preciso de luz para encontrá-lo - nunca precisei.
Sigo o rastro que só eu consigo perceber: o aroma de uísque, o som distante de papéis sendo manuseados, o ranger de uma cadeira girando