“Mesmo sem ver, sei que estamos fugindo não dos inimigos, mas da verdade — e ainda assim escolho ficar, porque amar Fernando Torrenegro é seguir de olhos fechados rumo ao abismo… e não recuar.”
— Luna Castilho
🖤
Acordei com o som de malas sendo fechadas. De início, pensei que fosse um sonho — o zíper deslizando, os passos pesados no chão, o som metálico do fecho de uma mala grande. Mas então o cheiro de couro e fumo preencheu o ar.
Fernando.
Ele se movia rápido, sem o cuidado de sempre. Sei reconhecer a pressa de um homem que teme ser alcançado. E o medo dele, embora contido, tem som.
Sentei-me na cama, o coração acelerando.
— Aonde vamos? — perguntei.
O silêncio que veio depois foi curto demais para ser natural. Ele parou de se mover, e pude ouvir o som da respiração dele — firme, pesada, como quem mede cada palavra.
— É só uma viagem, Luna — respondeu por fim. — Precisamos sair daqui por uns dias.
“Precisamos.”
A palavra ecoou como um presságio.
Fernando raramente expli