"Ele acha que me engana com silêncios — eu decifro suas fissuras; enquanto foge, eu guardo o coração que ele deixou." — Luna Castilho
🖤
Ele pensa que me engana. Que pode se esconder atrás de silêncios, portas fechadas e ordens frias. Mas eu sinto. Sempre sinto.
O corpo dele fala antes da boca. Quando está a dois passos, o ar muda — fica denso, quente — e eu acompanhado por essa mudança como quem acompanha uma maré. O coração dele bate mais forte; eu sinto no ritmo da cama quando ele se senta, no lençol que afunda sob o peso. A respiração dele encurta, a mão treme um pouco antes de pousar. São sinais pequenos, quase íntimos. Sinais que ninguém vê, mas que eu decifro como quem lê uma carta escrita no escuro.
Ele quer me tomar. Sinto isso em cada gesto contido: a mão que paira e não pousa, o olhar que invento na escuridão porque sei que está aí. Ele quer me pôr no centro, me ter por inteiro. Mas não o faz. Foge. Sempre foge.
Ontem à noite entrou sem pedir. A porta não gemeu — ele apren