Fernanda
Despertar nunca foi tão violento. Abri os olhos e deparei‑me com paredes de mármore frio, luz indireta escorrendo por frestas discretas no forro do teto. Não havia janelas. Era um luxo sombrio. O ar tinha cheiro de sabonete caro e de algo metálico — talvez o som distante de correntes. Levantei‑me com cautela, cada músculo em alerta. Lembrei‑me em flashes: o galpão no Rio, Viktor me arrastando, o voo indefinido, o frio do casaco forçado em torno de mim.
Meus punhos cerraram‑se ao pressi