Fernanda
O furgão cortava a estrada como uma lâmina cega, rangendo a cada buraco que a neve escondia. O vidro gradeado deixava entrar um frio que queimava a pele; o cheiro de gasolina e lã molhada grudava na garganta. Eu mantinha os pulsos juntos, não por algemas — dessa vez tinham usado fita —, mas por estratégia: menos circulação, menos tremor. Menos medo aparente.
— Samara em duas horas — disse o motorista, num russo preguiçoso.
— Se não atolarmos de novo — resmungou o do banco do carona, b