Fernanda
O ar nos túneis queimava como o sopro de uma fornalha. O metal suado devolvia a cada passo um eco gutural que parecia rugido de bicho preso. Eu apoiava Lena pelo ombro, sentindo o tremor dela passar para o meu corpo, como se nossas vértebras estivessem costuradas por um fio invisível.
— Respira curto — sussurrei. — No três, a gente avança. Um… dois… três.
Ela mordeu o lábio para não gemer. O braço esquerdo pendia, feio e inchado. Parei junto a uma coluna de inspeção, rasguei a barra da