A reforma começou com silêncio. Não aquele silêncio triste que a casa conhecia, mas um silêncio cheio de planos, serragem no ar e conversas sussurradas sobre possibilidades.
Helena chegava cedo, antes mesmo dos operários. Gostava de ouvir a casa acordar — os estalos da madeira antiga, os pássaros nas janelas, e a brisa que parecia entrar sempre com saudade. Com o caderno azul sob o braço, ela percorria os cômodos como quem visita um templo. Ali, cada parede guardava uma história, e ela estava