Choveu à noite. Não o bastante para lavar o mundo, mas suficiente para deixar o ar mais fundo.
Arthur acordou com o som da água escorrendo pela calha, mas não se levantou de imediato. Deitou de lado e escutou. Não a chuva — o que ficava depois dela.
Na varanda, Clarice bebia algo quente. Estava de costas. Os pés descalços. O cabelo preso sem esforço.
Ele apareceu devagar. Sentou-se no degrau, a alguns passos. Disse:
— Sonhei de novo.
Ela não perguntou com o quê. Apenas bebeu mais um gole, depoi