A chuva da noite anterior ainda estava presente, não mais nos pingos, mas no cheiro — molhado, terroso, vivo. A Casa respirava devagar, como quem acorda depois de um sonho que não sabe se quer esquecer ou lembrar para sempre.
Clarice vestia uma blusa leve, quase transparente sob a luz filtrada da manhã. Andava descalça pelo corredor de madeira antiga, cada passo ecoando sutil. Parou na porta do quarto que fora de Arthur.
A maçaneta ainda guardava o calor das mãos dele. Não era imaginação — era