Mundo ficciónIniciar sesiónLara Bellini foi criada em uma redoma de vidro, protegida como a joia mais valiosa de um império em ruínas. Quando seu pai anuncia que a vendeu para salvar a família da falência, Lara decide quebrar a única regra do contrato: sua pureza. Em uma noite de rebeldia, ela se entrega a um estranho em um bar, decidida a entregar para um qualquer o que o seu futuro marido tanto cobiça. Mas o destino tem um senso de humor cruel. No jantar de noivado, Lara descobre que o estranho misterioso com quem passou a noite é ninguém menos que William Weiss, o bilionário impiedoso que agora detém sua dívida e seu corpo. William sabe o seu segredo. Ele sabe que ela não é mais a noiva intocada que o contrato exige. E ele pretende usar essa mentira para transformá-la em sua prisioneira particular. Entre cláusulas de exclusividade e o perigo de cobradores de sangue, Lara terá que decidir se William é o seu carrasco ou o único homem capaz de salvá-la — por um preço que ela nunca imaginou pagar.
Leer másPOV Lara Bellini
Vinte e dois anos de educação impecável, aulas de etiqueta francesa e um diploma de Marketing que agora servia apenas como um descanso de copo caro sobre a mesa de carvalho maciço do escritório do meu pai. Tudo isso para terminar assim: sendo anunciada como um pedaço de picanha tipo exportação em um leilão de elite para magnatas entediados.
— Assine logo, Lara. Deixe de ser infantil e encare a realidade! — A voz de Albert Bellini cortou o ar como um chicote.
Ele não estava apenas irritado; ele exalava o cheiro metálico do desespero. O homem que eu sempre vi como um titã da indústria agora tinha olheiras profundas e as mãos trêmulas enquanto tentava acender um charuto que custava o preço do aluguel de uma pessoa normal. Albert estava perdendo o controle de tudo — da empresa, das finanças e, agora, da própria filha.
— O contrato está na mesa. Assine e as dívidas desaparecem. Nossa reputação permanece — minha mãe, Elisabeth Bellini, completou. Ela estava encostada na lareira, a voz embargada por um drama digno de novela mexicana enquanto retocava o batom Chanel com uma precisão cirúrgica. — Você sabe que não temos escolha.
— Reputação? — Soltei uma risada seca, o tipo de som que você faz quando a alternativa é incendiar a cortina da sala. — Vocês estão me vendendo para um estranho porque não conseguiram gerir o próprio império e têm a audácia de falar em reputação?
Eu olhei para o papel timbrado da Weiss Corporation. A cláusula 4.2 brilhava sob a luz do lustre de cristal, zombando da minha cara: “A noiva deverá manter sua integridade e pureza até a consumação das núpcias”.
Integridade. Pureza. Eles queriam dizer virgem. Em pleno século XXI, Henrik Weiss exigia uma garantia de fábrica para seu herdeiro, como se eu fosse um carro quilômetro zero pronto para ser retirado da concessionária.
— Isso é ridículo. — Joguei a caneta de ouro sobre a mesa. — Eles sabem que eu sou uma mulher adulta, não um pote de iogurte lacrado, certo? O que o William Weiss espera? Que eu tenha passado as últimas duas décadas em um convento?
— Não seja vulgar! — Albert, meu pai, bateu na mesa, fazendo os cristais tilintarem. — Você sabe muito bem por que ainda é... "integrada". Nós te protegemos. Afastamos cada aproveitador que tentou chegar perto de você. Seu nome é limpo, Lara. Sua imagem é imaculada. Os Weiss não aceitariam menos que isso para o sucessor deles.
Eu senti um gosto amargo na boca. A proteção deles nunca foi por amor; foi manutenção de estoque. Eu fui mantida em uma redoma de vidro, cercada por motoristas e seguranças, não para minha segurança, mas para que meu valor de mercado não caísse. Eu era o último ativo valioso dos Bellini.
— William Weiss é o herdeiro de metade do setor imobiliário do país, querida — Elisabeth, minha mãe, tentou suavizar, aproximando-se com aquele cheiro insuportável de perfume importado. — Ele é... discreto. Misterioso. Pense na segurança que ele pode te dar.
— "Misterioso" é código para feio, impotente ou psicopata? — Me levantei, pegando minha bolsa Prada. — Qual é o problema dele? Ele tem três cabeças ou apenas um fetiche medieval por virgens?
— Lara, basta! — Meu pai gritou, o rosto ficando vermelho. — Se você não assinar esse acordo até amanhã, perderemos tudo. A mansão, os carros, o seu estilo de vida de princesa mimada. Você quer acordar amanhã e ter que procurar um emprego de verdade? Quer morar em um cubículo e andar de metrô?
— Talvez seja melhor do que ser o troféu de um estranho — rebati, embora o pensamento de perder meu conforto fizesse meu estômago dar um nó. Eu era mimada, sim. Fui criada para o luxo, para o melhor que o dinheiro pode comprar. Mas ser um objeto de troca era um preço alto demais, até para mim.
— Onde você vai? — Minha mãe perguntou, os olhos arregalados. — Temos o jantar de anúncio com Henrik e William amanhã!
— Vou garantir que o contrato seja anulado por vício de objeto, mamãe. — Pisquei para ela, sentindo o gosto da adrenalina substituir o do café amargo. — Se o William Weiss quer uma relíquia intocada, ele vai acabar com uma devolução por "uso prévio".
***
Duas horas depois, eu estava em um bar no centro. Nada de lounges VIP onde as pessoas bebem espumante morno e falam de juros. Eu queria um lugar com cheiro de pecado, fumaça e música alta o suficiente para eu não ouvir minha própria consciência me chamando de louca. Liguei para Isabella, minha única amiga que não me julgaria por isso, mas ela não atendeu. Talvez fosse melhor assim. Esse era um crime que eu precisava cometer sozinha.
Pedi um shot de tequila. Depois outro. Eu me sentia uma estranha naquela selva de luzes neon com meu vestido de seda e saltos agulha, mas o álcool estava começando a anestesiar o medo. Eu precisava de coragem para retomar a posse do meu próprio corpo antes que William Weiss colocasse as mãos nele.
— Você parece alguém que está planejando um assassinato. Ou um assalto a banco. — Uma voz grave, como um violoncelo em uma nota baixa, ecoou ao meu lado.
Virei o rosto e o bar pareceu desaparecer. O homem sentado no banco vizinho era o tipo de perigo que eu só conhecia por livros proibidos. Cabelo escuro, desalinhado na medida certa, e olhos tão intensos que pareciam ler minha alma.
— Pior — respondi, tentando manter o tom sarcástico enquanto meu coração dava piruetas indesejadas. — Estou planejando uma liquidação de estoque. Peça única. Última chance de aquisição antes de sair de linha.
Ele arqueou uma sobrancelha, um sorriso de canto de boca surgindo. Era um sorriso predatório. O tipo de sorriso que diz: eu topo o desafio.
— Eu sempre gostei de liquidações — ele disse, inclinando-se para mais perto. O cheiro de sândalo me deixou tonta. — Sou o Will.
— Sou a Luna — menti, o nome saindo da minha boca como um escudo. — E, Will? Eu não quero saber seu sobrenome ou sua profissão. Eu só quero que você me ajude a estragar os planos de um homem muito rico e muito arcaico.
— Um objetivo nobre — ele murmurou. A mão dele roçou meu braço, enviando uma descarga elétrica pelo meu corpo. — Acho que posso ser muito útil nisso, Luna.
POV William Weiss Eu deveria estar focado nos números da expansão portuária, mas a única coisa que ocupava minha mente era o calor de Lara ao meu lado e o jeito que o vestido azul que eu escolhi — o mais casto do closet — ainda não era suficiente para apagar o fogo que ela carregava. Eu a queria escondida. Queria que o mundo visse apenas a moldura, enquanto o conteúdo ficasse trancado sob minha chave. Mas o mundo, infelizmente, tem olhos famintos. — Devo admitir, William — a voz de Arthur Vane cortou meus pensamentos. Arthur era um parasita de herança, o tipo de homem que achava que o sobrenome compensava a falta de espinha dorsal. — Você sempre teve bom gosto para aquisições, mas desta vez superou todas as expectativas. Lara Bellini é uma raridade. É um desperdício mantê-la em silêncio durante todo o brunch. Apertei a taça de cristal entre os dedos. Arthur não estava olhando para os documentos sobre a mesa; ele estava despindo Lara com os olhos, parando no decote fechado como se
POV Lara Bellini O salão do Grand Hyatt exalava o cheiro inconfundível de dinheiro antigo e perfumes importados. Lustres de cristal pendiam do teto como estalactites de luz, refletindo-se no piso de mármore impecável. William caminhava ao meu lado com uma calma glacial, sua mão possessiva ancorada na base das minhas costas, guiando-me através da multidão de ternos sob medida e vestidos de designer. Eu me sentia uma freira de luxo. O vestido azul-marinho de gola alta que William escolhera era magnífico, sim, mas escondia cada centímetro da pele que eu usara para provocá-lo na noite anterior. Eu era a moldura perfeita para o poder dele; o acessório silencioso que confirmava sua estabilidade. — Sorria, Lara — ele sussurrou perto do meu ouvido, enquanto nos aproximávamos de um grupo de investidores alemães. — E lembre-se: você é a noiva de um Weiss. Tente agir como se tivesse orgulho disso, e não como se estivesse marchando para o calabouço. — É difícil sorrir quando o carrasco e
POV Lara Bellini O despertador não tocou. No mundo de William Weiss, o tempo parecia curvar-se à sua vontade antes mesmo de o sol nascer. Acordei com o som seco de cortinas sendo abertas de uma vez só. A luz cruel da manhã inundou o quarto, e eu me encolhi sob os lençóis de seda, a camisola champagne da noite anterior agora parecendo uma armadura amassada e inútil. William já estava de pé. Ele estava impecável em um terno cinza grafite, ajustando os abotoadores de safira nos punhos da camisa branca. Não havia rastro do homem vulnerável e desejoso de poucas horas atrás. Seus olhos, quando encontraram os meus pelo espelho, eram duas pedras de gelo. — Dez minutos — ele disse, sua voz cortante como um bisturi. — É o tempo que você tem para estar no banho. O café será servido em quinze minutos, e o motorista nos espera às oito em ponto. — Bom dia para você também — resmunguei, sentando-me e sentindo o peso do olhar dele sobre mim. — Não temos tempo para cordialidades, Lara. Ontem voc
POV Lara Bellini William não disse mais nada. O silêncio que se seguiu à nossa discussão sobre Camille foi carregado, denso como a fumaça de um incêndio que se recusa a apagar. Ele se levantou e caminhou em direção ao banheiro, deixando para trás apenas o rastro de seu perfume e a promessa implícita de que aquela noite ainda não havia terminado. Eu não ia ficar ali, sentada, esperando que ele voltasse para ditar a próxima regra. Deitei-me na imensa cama de dossel, mas não para dormir. Ajeitei-me de lado, de costas para o lado dele, sentindo a seda da camisola champagne escorregar pela minha pele. Com um movimento calculado, encolhi levemente as pernas, fazendo com que a barra da camisola subisse, revelando a curva da minha cintura e a calcinha de renda preta, minúscula, que deixava a maior parte da minha pele exposta. Era uma moldura perfeita para a minha nudez parcial sob a luz suave do abajur. Ouvi a porta do banheiro abrir. O vapor quente escapou, trazendo consigo o cheiro de
POV Lara Bellini A mesa posta no canto do quarto exalava um perfume de trufas e vinho tinto, mas o ar entre nós cheirava a pólvora. William sentou-se com a elegância de um rei, observando-me enquanto eu caminhava até o closet. Eu não ia colocar o robe de algodão sem graça que a governanta deixou. Se ele queria me manter trancada, eu seria a visão que tiraria o seu sono. Escolhi uma camisola de seda champagne, tão fina que parecia uma segunda pele, com uma fenda que subia atrevida pela coxa e um decote em "V" sustentado por alças que pareciam fios de teia de aranha. Voltei para o quarto e me sentei à frente dele, cruzando as pernas com uma lentidão deliberada. William parou com o garfo a meio caminho da boca. Seus olhos escureceram, percorrendo o brilho da seda sobre o meu corpo. Ele não disse nada, mas o som da sua respiração, subitamente mais pesada, foi a minha primeira vitória da noite. Comemos em um silêncio cortante. O tilintar dos talheres no cristal era a única música. Eu o
POV William Weiss O gosto de Lara Bellini era um vício que eu não tinha planejado adquirir. Quando meus lábios tocaram os dela, a fúria que eu sentia por sua insolência no banheiro evaporou, substituída por uma necessidade primitiva de reivindicar cada centímetro daquela pele úmida e quente. Eu a tinha encurralada entre o meu corpo e a penteadeira, sentindo o pulsar do seu coração contra o meu peito, uma música caótica que me dizia que, apesar de todo o ódio que ela professava, o corpo dela ainda me pertencia. A toalha branca que a envolvia estava por um fio, e eu estava a um segundo de esquecer qualquer resquício de cavalheirismo e tomá-la ali mesmo, provando que o contrato era apenas o começo da sua rendição. Então, o mundo exterior ousou bater à porta. Toc, toc. Dois toques curtos e firmes. O jantar que eu havia solicitado assim que ela se trancara no banheiro — uma tentativa de civilidade que agora me parecia um erro estratégico monumental. — Sr. Weiss? O jantar está servi
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