Saulo Prado
Ele podia confiar em tudo, menos em Ana Júlia. Certamente, logo ela acabaria com o seu casamento. Aquela aliança em seu dedo... uma bebedeira, uma cama, um quarto escuro, uma fome de boceta do caralho, olhei para cima odiando pensar isto, já sabendo que tudo iria pelos ares. Porra, elas nem gemiam igual, como eu pude confundir as duas?
- Não, claro que não. - respondeu o homem, meio temeroso.
Seguimos por um corredor. Eu me perguntava por quê e para quê, até que o diretor abriu a porta. O frio dali quase me arrepiou até os ossos.
O homem nervoso me olhou, mas logo desviou os olhos. Ele parecia saber quem eu sou. Estava estampado na minha cara, todos os traços de um Prado, como se fosse um legitimo.
- Não ouse dizer uma palavra sobre a minha visita. Qual foi a ordem? Matá-la? - Ribeiro perguntou, firme.
O diretor abaixou a cabeça, e Ana Júlia parecia perdida.
- Não... ele a quer viva. - murmurou o careca cheio de medo.
Ribeiro confirmou com um movimento, dando passos para