Angelina da Costa
Diogo estava estranho. Cantarolava pela casa, assobiava como se carregasse leveza e aquilo despertava a minha curiosidade por dentro. Era impressão minha ou ele parecia tudo, menos um homem que havia sofrido um atentado? Meus olhos o seguiam em cada gesto à mesa de refeições, e as perguntas queimavam na garganta: teria sido ele o mandante? O nome que me rondava a mente, o único possível?
- Não vai comer? - perguntou sem me encarar, servindo-se de sopa com a calma irritante de quem não tinha nada a esconder.
- Comer nesta fase é complicado, Diogo. É comum sentir azia... - Antonia me defendeu antes que eu respondesse, e eu quase suspirei de alívio. - Notei que suas refeições andam bem pequenas, Angelina.
Ele ergueu os olhos escuros para mim.
- É verdade?
Assenti, evitando me prolongar.
- Sim. Desde que entrei no sétimo mês ficou pior.
Depois do jantar, me juntei a Antonia na cozinha. Diogo também veio, surpreendentemente, ajudando a limpar o fogão enquanto a irmã gua