Saulo Prado
Angelina estava nervosa. Eu sentia o tremor das suas pernas dentro da calça legging cinza e via suas mãos inquietas repousando no colo. Segurei uma delas, apertando de leve, tentando transmitir segurança. Era muita tensão para ela de uma vez só.
- Ele não disse o que queria? - perguntei em voz baixa, tentando quebrar o gelo. Dirigindo com uma unica mão.
Ela negou com a cabeça, os olhos vibrantes, oscilando entre medo e resistência.
- Não... - começou, mas a frase se perdeu, engolida pelo silêncio pesado dentro do carro.
Segurei seu olhar, mantendo a mão sobre a dela. - Respira, Angelina. Tá tudo sob controle. Confia em mim.
Chegamos à mansão. Peguei sua mão sem tentar esconder, nunca fui homem de disfarces, exceto diante das broncas da dona Laura.
- Bom dia... - disse, ao atravessarmos o hall.
- Bom dia, Lina? - a funcionária da casa praticamente saltou, com um sorriso amplo ao vê-la.
- Bom dia, Ana. Tudo bem? - Angelina a abraçou, parecendo amigas de longa data.
- Sim, tu