Não é gravidez...

Angelina Da Costa

Nada era pior do que a sensação de ser substituível.

Para mim, isso era inconcebível. Eu tinha a convicção de que era o coração do escritório Prado, a peça insubstituível que mantinha tudo funcionando. Acreditava que, se eu vendesse minhas férias, o caos se instalaria. Mas toda essa certeza desmoronou em uma única manhã, dentro de um elevador.

A porta se abriu e ela entrou. Jovem, alta, esguia, com a pele morena gloriosa e cabelos cacheados com mechas loiras que caíam sobre os ombros como se fossem pintados. Seus olhos âmbar, vivos e atentos, me fitaram com curiosidade tranquila. Meu estômago se contraiu. Ela não tinha o ar de cliente. Tinha o ar de quem pertencia àquele lugar.

- Oi, tudo bem? - perguntei, tentando disfarçar a apreensão que já queimava no meu peito.

- Oi, tudo! Você é advogada? Deve ser a doutora... - disse ela, voz suave.

- Não - interrompi, mais seca do que deveria. - Sou Angelina Da Costa. A recepcionista.

Quase acrescentei "a arquivista, a assis
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