Saulo Prado
O cliente no corredor exclamou algo exasperado. Ouvi os saltos de Allana correndo em nossa direção, seu gasp abafado. Mas tudo era ruído de fundo. O universo tinha se reduzido à mulher pálida e inerte em meus braços.
- Meu Deus. Angel? Por favor, Angelina, abre os olhos - supliquei, sacudindo-a levemente, minha voz uma mistura de terror e desespero.
Allana, a novata, parecia a única capaz de ação em meio ao caos.
- Eu ligo para a emergência! - ouvi-a dizer, sua voz trêmula sumindo em direção ao telefone.
Eu ali, no chão, com Angelina desfalecida, seu corpo frio, a respiração lenta e o eco das minhas próprias palavras egoístas voltando para me assombrar. E no silêncio aterrorizante daqueles segundos, uma única verdade me atingiu com a força de um raio, todos os meus planos, meus medos, minha liberdade... nada importava se ela não estivesse bem. Nada.
As sirenes da ambulância chegaram rápido demais e, ao mesmo tempo, devagar demais para o meu coração em desespero. Eu não la