Ciúmes da novata.
Saulo Prado
Angelina adormeceu sobre mim, o que não era novidade alguma. Sua respiração lenta, tranquila, enchia o quarto de silêncio. Afastei-a devagar do meu corpo, com cuidado para não despertá-la. O celular começou a tocar em algum lugar, um som insistente. Procurei rapidamente, evitando que ela acordasse. No dia seguinte haveria a audiência de Francesca, e eu sabia que só poderia ser ela.
Angelina já havia me passado todos os relatórios do caso, conversado com testemunhas, estava tudo certo. Eu só precisava me atentar para não deixar nada escapar.
- Alô? - atendi quase em sussurro, já indo em direção ao banheiro.
- Saulo? - Francesca disse, como se o telefone não fosse meu.
- Sim. Seja direta. - respondi seco. Com ela, nunca havia descanso.
- Estou ligando para saber da Angelina. Ela está com você? - perguntou, em tom carregado.
Olhei para a mulher adormecida na cama, apoiada na almofada, tão alheia ao veneno que vinha daquela voz. Era impossível seguir com esse jogo.
- Claro. Ve