Saulo Prado
Eu já estava entregue.
Inerte, e ainda assim faminto. Capaz de qualquer coisa. Saímos do mercado e, por mais que eu tentasse pensar em algo racional, eu não queria deixá-la em casa.
Não queria largar dela.
Quando Angelina finalmente decidiu falar, eu já sabia que ouviria o que não queria.
— Isso é só desejo, doutor… Sossegue. Deixa isso pra mim, que nunca vivi essas coisas — disse ela, como quem quer controlar o próprio incêndio.
Passei a língua no lábio inferior, aproveitando a